A HUMANIDADE PRECISA DE CONFIANÇA

Postado em 06/06/2016

Por Leonore Bertalot em 17 de dezembro de 2013

 

O que é confiança? É uma força que se entrega.

Pergunte à criança pequena; ela nos ensina o que é entregar-se.

A criança é toda confiança ao nascer. Ela se entrega inteiramente aos nossos cuidados. Ela confia em nós, sendo totalmente dependente do carinho e da atenção que se dê a todas as suas necessidades. Ela vive, cresce, anda, fala, pensa e se torna um ser humano, conforme os cuidados e exemplos das pessoas ao seu redor.

Esta confiança infantil é intensa, espontânea. Conforme as experiências e à medida que cresce, ela também desenvolve a força oposta: a desconfiança.

Com a experiência do eu, de ser diferente dos outros e com o despertar do intelecto, que tudo analisa e questiona, perde-se, aos poucos, a confiança instintiva, a “confiança cega”.

Ocorre ainda um processo interessante, quando a criança entra na idade escolar. Ela já sabe falar e recordar, usa suas pernas e braços com autonomia, mas a sua alma se entrega com toda a confiança aos professores, para aprender o que os “grandes” sabem. Para desenvolver a confiança consciente na passagem da infância para a idade adulta é necessário adquirir conhecimento e habilidade de discernir. Confiamos, porque conhecemos as pessoas ou as circunstâncias, etc.

E quantas vezes não é abalada essa confiança em alguém, ou num remédio ou serviço, etc. Perde-se a confiança nos amigos, no destino, em Deus. Parece que a confiança mútua está se perdendo cada vez mais. O “saber demais” nos faz duvidar, desconfiar. As sequelas são a insegurança, o medo, o nervosismo, a depressão. Não poder confiar significa enfraquecer, isto é, perder a força com que viemos ao mundo.

Como vimos, a primeira confiança nos é dada. Ela faz parte da natureza, é um instinto do organismo, assim como o são a respiração, a motricidade, a capacidade de chorar e rir. Porém, para nós adultos a confiança instintiva permanece esquecida no subconsciente. Mesmo que, às vezes, depois de uma noite passada “em claro”, com mil preocupações, a nossa confiança retorne com o nascer da luz do novo dia.

E, como os pais corujas, ou digamos, instintivos, insistimos numa confiança cega, quando alguém duvida da integridade inabalável do filho!…

A pessoa autônoma quer confiar no próprio julgamento e, em conformidade, confiar no que ela acha confiável.

Não deixa de ser presunçoso achar que possamos discernir o suficiente para apenas confiar no que a nós parece confiável. O fato é que toda organização pública e privada costuma fixar suas leis e estatutos na desconfiança.

O intelecto alimenta o egoísmo, o senso de superioridade, quando não é acompanhado, “humanizado”, pelos sentimentos nobres. Ele, por si, é frio, calculista e desconfiado.

Os sentimentos nobres desenvolvemos pelo amor ao belo, pelas forças de fé, isto é, de confiança numa sabedoria superior. Essa que se nos revela justamente nas forças instintivas, que podem ser chamadas de divinas, e que atuam na natureza infantil muito antes de ela ter adquirido a capacidade de raciocinar.

O adulto pode crescer espiritualmente e ampliar os horizontes da sua personalidade, afinar sempre mais suas habilidades, estender seus conhecimentos, se mantiver um vivo interesse por tudo e, também, por meio da autoeducação, a disciplina do caminho do autoconhecimento.

Rudolf Steiner alertou, prevendo esse crescimento perigoso da desconfiança na integridade do ser humano, que só pode levar a guerras e brigas entre povos e parentes, que os homens deverão aprender a confiar, a praticar confiança, se não quiserem acabar numa guerra de todos contra todos.

Guerras e brigas entre tribos, povos e parentes temos por todo o lado. Mas, sabemos praticar a confiança?

Praticar confiança no que confiamos é ficar onde estamos. Aprender a confiar só podemos com o desconfiável e com o desconhecido. Para isto é importante saber que tudo evolui. A pessoa que hoje errou pode não errar amanhã. A criança que se apresenta com birra típica da crise orgânica por que passa, se tornará toda amorosa ou razoável em outros estágios evolutivos.

Exercitar, dessa forma, a força da confiança é realizar uma terapia para o indivíduo e para a convivência social no mundo. Será a base para uma verdadeira fraternidade cristã universal:

“POR SERES HOMEM, TU ÉS MEU IRMÃO. ”


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